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Criada por Sigmund Freud, a psicanálise inaugura uma forma particular de compreender e tratar o sofrimento psíquico. Esse sofrimento pode se manifestar de diferentes maneiras e associado as mais variadas situações e perturbações. O que há em comum entre elas é a existência de alguém que sofre e anseia por melhorar.Neste sentido, a psicanálise não se destina a tratar a doença em si e sim o sujeito que dela sofre. O que resulta em ampliar o tratamento, não o reduzindo a mera eliminação do sintoma, e sim a escutar aquele que sofre e o estabelecimento de novas conexões emocionais, cognitivas e relacionais. Por isso, pode ser entendida como uma teoria sobre o funcionamento psíquico, um método de tratamento e, principalmente, como uma experiência de escuta.Uma escuta cuidadosa e interessada sobre aquilo que cada um pode contar sobre a própria história, sobres seus conflitos, desejos, inquietações e sofrimentos. O trabalho de falar sobre si e sobre o que vive pode trazer um alívio imediato e funcionar de modo organizador. No entanto, o diferencial da psicanálise é ir além e mobilizar as forças de ligação e associação do psiquismo para produzir outros saberes sobre si, outras significações sobre a própria vida. Trata-se de um processo voltado para lidar com o que foi chamado por Freud de mal-estar da civilização e que coloca em análise os sintomas e conflitos gerados pela relação da pessoa com ela mesma, com o próprio corpo e com os outros. Isto porque a vida é permeada por perdas, limites, contradições, que não a impedem, necessariamente, mas tensionam os ideais, os desejos e outras possibilidades de vida. Esse mal-estar para alguns se apresenta de modo mais intenso e barulhento e para outros de modo mais silencioso. O que na maior parte dos casos se mantém comum é um sujeito tentando encontrar um modo possível de viver com aquilo que o atravessa. Podemos também pensar a psicanálise como uma experiência ética, estética e política. Ética por envolver a possiblidade do sujeito assumir um lugar de escolha e responsabilidade sobre o próprio desejo. Não como algo dado e pronto a ser acessado, mas sim como a constituição de um saber sobre um desejo singular. Um saber que implica, também, em se responsabilizar sobre o próprio desejo e as consequências que dele decorrem. Política pela nossa humanidade depender da nossa relação com os outros. A condição humana exige, portanto, relações com outras pessoas e com o mundo. O que implica dizer que a relação com a pólis, com a sociedade e cultura, não só nos atravessa, mas nos constitui e provoca uma posição nossa no mundo. O trabalho psicanalítico também diz respeito a poder pensar essas relações e a própria posição do sujeito no que se refere a transformar, preservar ou manter e conservar um certo modo de viver no mundo.E por fim, estética, na medida em que pensamos o humano na sua dimensão aberta, dinâmica e em permanente movimento. Fazer análise, portanto pode se referir a uma artesania de si, um dar forma a própria existência, não como um produto, mas uma obra aberta a revisões e novas invenções de si.
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